sábado, 17 de outubro de 2009

JACINTINHO



O Jacintinho é uma cidade que não dorme

Um shopping aberto 24 horas por dia

Uníssona na pseudo moderna Maceiork

Pra dormir no Jacintinho

Nem precisa de ventilador

É um friinho, chão geladinho

A água aqui é muito boa

Mas boa mesmo é a feira

E essa gente sem besteira

Essa gente morena, plena

Homens, jovens nas calçadas,

Velhinhos de chapéus

Mulheres sem véus,

Negros de camisa

Pra não serem confundidos

Com ladrões pelos grilhões

No meio da rua, na feira

Esse formigueiro quente de gente

Acordar cedinho no Jacintinho

Cinco e meia pra comprar o pão

Inda tem gente de copo na mão

E trabalhadores já no ponto do busão

Quero mesmo é me perder descalço

Em labirintos sem percalços

Vendo as barracas de madeira

Mercados de frutas, ervas, raízes

Remédios pra dores, brochas, cicatrizes

Tem lojas com blusas de cinco reais

Mas as de móveis são caras demais

Bananas maduras, acerolas novinhas,

Uvas sem sementes e goiabas limpinhas

Alecrim, hortelã, erva-doce, canela

Lojas CDs e DVDs piratas, de panelas

De roupas, moveis e eletrônicos usados

Tem de tudo nesse Jacintinho imperioso

Ciclista, pedestre que atravessa impetuoso

Transitam melhor que motoristas assustados

Mas se tá com pressa não pegue a Via Expressa

Em horário de rush o trânsito é lento e emperra

Já experimentou morar ou passar dia no Jaça?

Vai conhecer uma gente educada, feliz, amada

Fazer amigos, desfrutar de alegria familiar

Sentar nas mesas,tomar café quentinho, jantar

Passar manteiga no pão morninho do Jacintinho

Ao contrário do que se pensa e se preconceitua

As pessoas dão bom dia, boa tarde e boa noite

Mas não pense que essa cidade vai ser facilmente tua

Não pense que vai poder usar essa gente decente

Lá você precisa ser aceito, buscar o seu respeito

Porque a humildade também tem os seus preceitos

O Jacintinho e seu povo são uma luz no meu caminho

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