sexta-feira, 30 de outubro de 2009

CONTRA O JORNALISMO DE GUERRA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO QUE NÃO ABREM ESPAÇO PARA DIVULGAR ONGS E INSTITUIÇÕES QUE LUTEM CONTRA A VIOLÊNCIA


Presidenta do Sindicato dos Jornalistas, Valdice Gomes



O Fórum Permanente pela Vida e pela Paz (Forvida), o Movimento Internacional Pela Paz, MOVPAZ e o Sindicato dos Jornalistas estão na luta em Alagoas pela não violência e em favor da paz. Mais especificamente no caso do jornalismo, através de seminários e reuniões busca-se fazer uma análise do papel dos comunicadores na divulgação de notícias que tratam sobre o tema. O mes de outubro de 2009 foi marcado por manifestações onde foram distribuídos com a população e nos meios de comunicação rosas brancas e uma Carta Aberta dos Jornalistas. O objetivo é explicitar a necessidade da realização em Alagoas de um jornalismo que mostre não apenas a violência mas analise o processo que a promove bem como a divulgação no contexto da matéria os meios existentes de se reconquistar a consciência da paz. ‘Queremos que os meios de comunicação alagoanos se engajem no movimento mundial Jornalismo da Paz”, avaliou a presidenta do Sindicato dos Jornalistas, Waldice Gomes.

O primeiro estudo que classifica 121 países de acordo com seu "grau de paz" elaborado pela consultoria britânica Economic Intelligence Unit (EIU) coloca o Brasil na constrangedora 83ª posição no Índice de Paz Global (Global Peace Index - GPI). Um dos fatores que mais pesou negativamente sobre o Brasil foi seu elevado grau de violência urbana. O levantamento foi monitorado por um conselho de personalidades internacionais, como o Dalai Lama, o arcebispo Desmond Tutu, o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter e o economista Joseph Stiglitz. O índice foi lançado com o objetivo de servir como uma referência para o debate da reunião de cúpula do G-8, que ocorreu na Alemanha em 2007.

Com uma performance de 2.173 pontos, o Brasil é considerado um país menos pacífico do que muitos vizinhos da América Latina, como o México, Peru, Bolívia, Paraguai e Argentina, mas está melhor colocado do que a Venezuela (102) ou os Estados Unidos (96). O grau de paz no Brasil também é considerado inferior ao da China, Jamaica e Síria. O ranking dos dez países mais "pacíficos" é liderado pela Noruega seguido da Nova Zelândia, Dinamarca, Irlanda, Japão, Finlândia, Suécia, Canadá, Portugal e Áustria. Na América Latina, o Chile é o melhor posicionado, com o 16º lugar. O país com o pior nível de paz é o Iraque, e o vice-lanterninha é o Sudão.

Já não é novidade no Brasil um jornalismo que favoreça a cultura da paz. O Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa foi instituído pela Assessoria de Imprensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em 2002, quando a CNBB celebrou os 50 anos de sua criação. Foi criado com o objetivo de premiar trabalhos jornalísticos e pessoas cujos trabalhos tenham a marca do jornalismo cidadão divulgando fatos em que estejam presentes os valores humanos, cristãos, éticos, sociais e políticos que ajudem a construir cidadania e promovam a cultura da paz.

NO MUNDO

A universidade online Transcend Peace University (TPU) que faz parte do Transcend, uma rede internacional de ONGs sobre paz e desenvolvimento sediada na Romênia, vem realizando cursos online acessíveis para jornalistas que querem que sua reportagem tenha uma abordagem mais ativista na resolução de conflitos e construção da paz. Os instrutores vêm de vários países ocidentais. O curso sobre jornalismo na paz busca ensinar o entendimento da reportagem na paz.

Há uma iniciativa na internet chamada Peace Channel (Canal da Paz), que produz e utiliza uma pequena quantidade de vídeos produzidos por outras empresas mostrando exemplos de jornalismo de paz. Um deles foi o envio de uma equipe de filmagem para o Quênia, meses após a violência eleitoral, onde se descobriu que um progresso notável havia sido feito para a reconciliação.

O Centro de Estudos de Paz e Conflitos (Peace and Conflict Studies ) da Universidade de Sydney, através do jornalista australiano Jake Lynch, vem realizando pesquisas para usar o jornalismo de paz no sentido de estabelecer um padrão global para cobertura de conflitos. Isso significa um jornalismo capaz de se encaixar nos procedimentos ISO (International Standardization Organization), que conferem garantias de qualidade. A Universidade do Minho, em Portugal, por exemplo, há anos vem apresentados projetos em âmbitos jornalísticos que visam qualidade em jornalismo fazendo análises da problematização e operacionalização de conceito.

O FATOR JAKE LYNCH

Para Jake, o jornalismo convencional privilegia a violência, simplifica a complexidade, omite informações sobre iniciativas pacíficas; alimenta a violência e é chamado de jornalismo de guerra. “O jornalismo de paz, ao contrário, é feito por repórteres que são incentivados a pensar criticamente - não necessariamente para promover a paz, mas ao menos dar uma chance a ela. Ele fala sobre dar visibilidade à paz, a criação de um padrão global para cobertura de conflitos, e como superar situações de impasse social quando as manchetes e fontes se repetem sempre e sempre. "Quando tudo o mais falhar", diz ele, "os jornalistas devem ser criativos”.

A análise de Jake é que convenção dominante entre a maioria dos jornalistas é recontar uma narrativa de eventos, e não processos. Isso significa que tendemos a ter relatos dos atos violentos, dos confrontos. Precisamos cobrir os processos que levam a um acontecimento violento e as causas subjacentes ao conflito.

“Se você está preparado para explorar o contexto de fundo do conflito, então começa a fazer sentido buscar informações sobre iniciativas de paz. Se não há um contexto, para que servem essas iniciativas? Se você leva em consideração uma gama maior de fatores causais, você imediatamente amplia as possibilidades e o escopo das iniciativas de paz no desenrolar da reportagem”, avalia o jornalista.

NA PRÁTICA

Empresas de qualquer ramo em qualquer lugar do mundo podem adotar certas práticas, e o grupo local de certificação irá decidir se elas merecem a garantia de qualidade ou não e, quando elas tiverem conseguido uma, poderão usar como um argumento de marketing.

O objetivo do jornalista australiano é estabelecer esse padrão global para que “as agências e organizações noticiosas em geral comecem a trabalhar no sentido de fazer mais jornalismo de paz. Isso seria um caminho para mudar a estrutura na qual os jornalistas trabalham, abrindo, assim, espaço para jornalistas de paz”.

CAMINHOS

Para pontuar os principais caminhos que levem a um jornalismo de paz, pode-se citar:

- Encontrar maneiras de incluir o contexto e as circunstâncias do conflito que está sendo tratado e oferecer relatos plurais. Não basta apenas limitar a cobertura à descrição e narração do que explodiu em que lugar.

- Dar espaço para as pessoas que estão propondo, sugerindo, desenvolvendo e defendendo iniciativas de paz de qualquer tipo, não importando se essas pessoas são as nossas fontes usuais ou não.

- Esse tipo de cobertura promove um jornalismo voltado para a paz. E um jornalismo voltado para a paz é um jornalismo melhor e, portanto, merece um reconhecimento global de qualidade.

O jornalismo de paz, nessas situações, exploraria a formação social e as oportunidades e obstáculos presentes na vida das pessoas; serviria para o debate sobre as causas subjacentes da violência; iria discutir o grande número de iniciativas comunitárias para mitigar essa violência. Não divulgar apenas os problemas mas mostrar as soluções.

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MARIA GADU - NE ME QUITTE PAS

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ESSE CHEIRO...


Esse cheiro de desgaste satisfatório no ar

Tesão pleno de vida realização total corporal

O olhar perde-se por cansaço e a visão vai ficando flou

A anti-saúde o avesso da juventude obtusa rebeldia

O corpo precisa de sensações como o cérebro de informações

Ouço meu coração cansado respirar aliviado compassado

Ontem turbulência, taquicardia, mágico gozo nevrálgico

A foto de hoje: se morresse agora velariam meu sorriso


PRA ONDE VOCÊS VÃO


Pra onde vocês vão nessa seriedade
esse momento burocrático não me cabe
As parcerias são construtivas mas entediantes
enfadonhas reuniões com trocentas instituições
todo mundo louco atrás de dinheiro
minha casa é linda não moro em pardieiro
corri feito louco pra chegar aqui
mas não quero viver num cativeiro
tenho medo da política paralítica
mas quero ser mais valorizado
te amo nega você me fez respaldado
mas preciso que o poder não me afaste de você
você acha que sou mais jornalista que poeta
e me acho mais eremita que profeta
posso viver sem nada lá em cima da montanha
mas tudo que faço é você quem ganha
não deixe que destruam nosso amor
desça desse patamar veja onde eu estou
há uma tristeza aqui dentro que não sei se você sabe
todo mundo entra no meu coração mas ninguém nele cabe
tudo é tão pseudo-profissional ao seu redor
que tenho saudade de olhar os vales e a lua cheia com você
e logo eu que não tenho nenhum parentesco pra te ter
quero que você supere novamente o pior
e me leve com você pra onde há sol
porque o por do sol é o nosso passado
e com você posso ficar ilhado
que amarei sempre o mar, o mato o arado
tem tanta gente ao redor de você
que você não consegue me ver
sempre falei pra todo mundo
que você é o que resta de selvagem na cidade
logo você, a luz mais otimista de um mundo melhor
me deixa novamente distante de tua mente
estou aqui no silêncio da minha loucura
tentando estar do seu lado apesar das agruras
não é esquizofrenia é que não há mais sintonia
entre mim e você sempre haverá prazer
e eu quero continuar te vendo sendo seu
me dá tua mão, pega meu coração deixa o resto morrer







A INOCÊNCIA VEM ANTES


A inocência vem antes da felicidade

Se a inocência morre a felicidade também?

É satisfação pessoal momentos zen

O meio de um processo gera felicidade?

Nunca aprendi a ser só mesmo

A solidão é o entojo da tristeza rondando

E eu que no meio do crescimento

Deparei-me com a intolerância e recuei

Quando voltei encontrei um mundo maior

E eu que reclamava do torpor dionisíaco

Deparei-me o único ainda com Baco

Tudo tão maior não me cabia mais

De tanto amado passei ao desprezo

Silêncio, telefone mudo, tapete puxado

Recomeço do zero como há anos atrás

Nem digo que ta ruim pode ficar pior

Inda me resta uma mãe no almoço

Um irmão que acode no alvoroço

Um amor eunuco que odeio e amo

Ele termina sendo minha companhia

Sem sexo, duros momentos, lamentos

Mas me ama e isso a mim basta

Que espiral é essa que me brocha

Atola-me no fundo e grito profundo

Irritando os mal amados e bem pagos

Sou eu novamente o louco irresponsável

Ninguém quer saber se fui mal recebido ao voltar

Se minha dignidade não me deixou concordar

Em baixar a cabeça pra bicha perigosa, poderosa

Burra, maldosa, invejosa que controla o leme

Dessa barca furada antes barco viking

Bússola orientada por mim agora roubada

E esse é meu caminho e hoje o mundo cresce

E ele o idiota de Kurosawa leva chute porrada

Mas não tem nada contra ninguém entende

São os personagens sociais máscaras banais

Mas ela, a deusa musa que me ama respeita

Embevecida com o crescimento do poder

Há de me aceitar, por no braço, entender?

Hoje encontrei um mundo todo contra mim

Até porque já tão longe dele estou

Claro que tão logo outro me adotou

Mas o deuso muso eunuco maluco amado

Avisou você está no seu melhor momento

E eu to por aí amando meus poemas

Pensando em reencarnação surpreso

Achando que a morte é bem vinda, linda

Se há vinte anos não acreditava hoje menos

Logo agora isso e eu no retorno clássico à natureza

Refluxo da correnteza é a vez da maldade

Enfiar o dedo no olho ferido da atordoada beleza